Por ela me chegaram as
primeiras manhãs.
Já não ouvi as últimas palavras
Ecoando no útero da fábula,
Antes de os animais se
calarem para sempre
Ou de começarem a falar
uma linguagem
Que a nossa babel não
pode entender.
Na escuridão dela, sem
medo do escuro
Terei pisado a erva do
paraíso;
Se pisei era quente, de
um calor humano.
Já não vi anjos ou
deuses ou serpentes.
Não conhecia o sabor da
maçã:
Não tinha memória de
nada.
Não me lembro do sabor
inocente do leite,
Nem depois da água fria
do baptismo.
Desci por este sangue,
Mas não saberia dizer
exactamente
Quando, em que conjunção
do tempo,
Comecei a existir.
Talvez só ela possa.
Ela já foi alta e agora
é pequena:
Os meus olhos
cresceram,
Mas ela não mudou.
A sua voz encontra em
mim
Para onde caíram os pássaros
do Paraíso,
Que se recomeça em
qualquer lugar,
Os jardins onde se
senta, talvez um pouco mais cansada –
Os jardins estarão
talvez mais longe.
Subimos a corrente,
trago-te pela mão,
Para te revelar o
segredo último,
Embora te diga apenas:
“A minha mãe”.
Nuno Rocha Morais







