sexta-feira, 24 de março de 2023

 A conta.

Os números que recusam a placidez (do certo,)

Desencontrados, vagabundos,

Os números insones que fiam as longas horas

Em que se pensa neles.

É só uma conta, uma só,

Que representa, no entanto, todo o desassossego,

Não aquele do Bernardo Soares,

Deambulante nos seus horrores metafísicos,

Mas o desassossego com que o dia se levanta

Do seio da sua noite

Para nos apresentar mais outra conta,

Logo que esta esteja resolvida.

A conta.

Palavras a Deus. E Deus dá-nos também

Uma conta para resolver.


Nuno Rocha Morais

Sem comentários:

Enviar um comentário

O poema como um sismógrafo de ilusão, Em cujas palavras vazias de som Se adivinha o coração suspenso. O poema como um arar sem revolver, O l...