Lembrar só que
não há lugares comuns. Que são lugares comuns o amor e a morte e o mar e o
verão e as amoras e os bosques e um pardal – são palavras. Mas a nossa
experiência delas obriga-nos a mudar as palavras, os seu sentido, sobretudo em
palavras como amor e morte. Quando encontramos os conceitos, fora das palavras,
a acção pura, então, as palavras enchem-se com uma emoção, um rosto, um
instante, uma memória, e só então sabemos o que realmente significam amor e
morte ou mar ou verão ou amoras ou bosques ou pardal. E então é preciso pensar
tudo de novo, dizer tudo de novo, passar, como escreveu Roberto Juarroz, a
lista das coisas, e sentir então o sentido. As palavras encontram-se fora das
palavras, fazem-se de fora para dentro e vêm de dentro para fora, quando
sabemos o que significam. Uma palavra é uma experiência – não é uma sequência
de sons inocente à qual foi convencionalmente atribuída uma significação
estável. Uma palavra é tudo menos estável – muda connosco. O sentido que damos
às palavras é a melhor forma de vermos como mudámos. Experienciar uma palavra
implica repensar todo o vocabulário, descobrir como estão tão vazias tantas
outras palavras. É isto que constantemente nos lembra a poesia. Se quisermos
ser animados pela mesquinhez utilitarista é para isso que “serve” a poesia.
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