domingo, 29 de dezembro de 2019

A caixa de costura



Voltei. A ternura da mãe,
O amor austero do pai
Esparzem sobre mim
E o tempo abandona a idade
Para correr inumeravelmente pelos sóis.
Voltei. Sinto o cheiro
E vejo alguns objectos habitados
Pela lenta e freática trama dos símbolos:
A caixa da costura, os livros,
Os quartos, a mesa, as cortinas.
Voltei. A casa prolifera pela luz,
Recebe-me, eu pertenço.
Voltei como quem emerge
Das águas da absolvição.
Ali está ela, a caixa da costura.


Nuno Rocha Morais
(Inédito)

Sem comentários:

Enviar um comentário

A minha voz pode esquecer-te, Mas não o meu silêncio. De sofrer por ti fiz a minha casa – O escárnio e o absurdo Passam sempre, por mais que...