Outras, fantasiosas paisagens,
Outras ainda resumos de pedras.
Cada um dos meus versos
É uma vária maneira de esquecer.
Nuno Rocha Morais
Diáspora ou fuga,
E tu ouves, com a calma antiquíssima
Das estações, em que uma
É o despertar da outra.
Há muito que eu não surgia
Ao cimo da minha própria voz,
No exílio exigido
E agora vou-te contando o meu nome de acaso
Com a exactidão possível.
Este nome que eu considerei deluso,
Falso, este nome que é agora
O meu, já não um espaço vazio.
Nuno Rocha Morais
Coloridas e ritmadas
Legitima a ilusão
De que um estro clareia
No mais fundo das cordas
Que às vezes me servem de dedos e palavras
Legitima a ilusão de que a poesia
Encosta a verdade como verdade –
Quer fazer-me cantar a poesia
Para que a minha voz vaze
Até às profundezas de uma nudez
Para que não mais transborde
De um isolamento de um naufrágio
De uma morte
Para que não mais eu raie os símbolos
E consuma as metáforas
Para que eu deixe figuras e vitrais e formas
Assombrosas geometrias para os ungidos
Cala-me a poesia com ilusão dela
Na erógena voz roça leves e finos cantos
Quase linho quase luz
Mas eu respondo-lhe com um milénio
De pedra treva claustral
Calo a poesia que me cala
E calado não mais deixarei que me calem
Nuno Rocha Morais
A minha voz pode esquecer-te, Mas não o meu silêncio. De sofrer por ti fiz a minha casa – O escárnio e o absurdo Passam sempre, por mais que...