sábado, 23 de novembro de 2024



Não quer nada cada um dos meus versos
Às vezes, alíseos,

Outras, fantasiosas paisagens,

Outras ainda resumos de pedras.

Cada um dos meus versos

É uma vária maneira de esquecer. 


Nuno Rocha Morais

sábado, 16 de novembro de 2024


Vou-te contando o meu nome de acaso,

Diáspora ou fuga,

E tu ouves, com a calma antiquíssima

Das estações, em que uma 

É o despertar da outra.

 

Há muito que eu não surgia

Ao cimo da minha própria voz,

No exílio exigido

E agora vou-te contando o meu nome de acaso

Com a exactidão possível.

Este nome que eu considerei deluso,

Falso, este nome que é agora

O meu, já não um espaço vazio.


Nuno Rocha Morais 

domingo, 10 de novembro de 2024


Legítima e vaporosa a imóvel dança
Da ilusão nas suas vestes

Coloridas e ritmadas

Legitima a ilusão 

De que um estro clareia

No mais fundo das cordas

Que às vezes me servem de dedos e palavras

Legitima a ilusão de que a poesia

Encosta a verdade como verdade –

Quer fazer-me cantar a poesia

Para que a minha voz vaze

Até às profundezas de uma nudez

Para que não mais transborde

De um isolamento de um naufrágio

De uma morte

Para que não mais eu raie os símbolos

E consuma as metáforas

Para que eu deixe figuras e vitrais e formas

Assombrosas geometrias para os ungidos

Cala-me a poesia com ilusão dela

Na erógena voz roça leves e finos cantos

Quase linho quase luz

Mas eu respondo-lhe com um milénio

De pedra treva claustral

Calo a poesia que me cala

E calado não mais deixarei que me calem 


Nuno Rocha Morais

sábado, 2 de novembro de 2024

 Os mortos vão à sua vida,

        Os vivos vão à sua morte.

        A única súplica possível

        Aos nossos mortos é que das suas preces

        Não nasçam mastins, legiões,

        A aziaga esponja, os demónios.


                             


         Nuno Rocha Morais



N





A minha voz pode esquecer-te, Mas não o meu silêncio. De sofrer por ti fiz a minha casa – O escárnio e o absurdo Passam sempre, por mais que...