sábado, 2 de maio de 2026

Eis uma sede súbita de poemas –

Sede, não um pião vindo dos astros,

Não um raio, divino de vontade.

Percorro as sarças de palavras crepusculares,

Onde as espigas estão nuas e a terra 

Exausta de cores.

Mas eis um pórtico

Onde as águas correm

Eis uma espiga que, de vários ângulos,

Brilha em fulvos diversos.

Eis o reflexo ilegível, eis o poema, 

Refracção do dizer, momento

Em que, realmente, o poeta já não diz nada.

O poema é o incerto despertar

Do caminho na bruma,

Sem partitura ou norte,

A distância é ilegível,

Olhando para trás, a estrada

Antiga e fluente dorme,

Cansada do rumo e do tempo.


Nuno Rocha Morais


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