domingo, 15 de maio de 2016

Que da obra fique,
Não aquilo que desagua num suspiro,
Num fim;
Não o nada que se segue
Ao que está apaziguado na completude;
Que da obra fique antes
O contínuo gesto das estações,
Da busca da obra que cresce,
Germina, leveda;
Que da obra fique
O contínuo gesto de ser feita,
Mas animada pelo sábio ritmo da destruição;
A imperfeição conquista o tempo:
Que continuamente a obra se faça
No fazer-se do tempo.

Nuno Rocha Morais

Eis uma sede súbita de poemas – Sede, não um pião vindo dos astros, Não um raio, divino de vontade. Percorro as sarças de palavras crepuscul...