sábado, 23 de maio de 2026

Dizes:

“Oxalá as cerejas fossem como os morangos silvestres”,

e o mundo abre-se em dois cachos

pendurados na alegria,

com os caroços da atenção

deitados fora pelo vermelho.
Dizes dos morangos

como se diria da dor

de os partilhar, selvagens.

Dizes da loucura silvestre

dos lábios percorridos 

pelo sumo agreste

da fusão das cores.

Esqueces-te, porém, que as cerejas

terminam o difícil trabalho

de serem felizes

no dia que agora se encerra. 


Nuno Rocha Morais

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