Apostando serenamente nas cores
Moldáveis para que cada um
Construa o seu próprio florescer.
Nuno Rocha Morais
Sento-me aqui contigo,
Perguntas sem resposta
Ou demasiadas respostas
Para uma só pergunta.
Estamos aqui, devagar, a ser
A alegria toda
À sombra do sacrifício.
Ambos sabemos – não vais ficar
Mas aqui estou, aqui fico,
Feliz enquanto estou
Dentro dos teus dias.
Nuno Rocha Morais
Memórias de flores não povoam jardins
Teus olhos, Honorine, cruzaram oceanos,
Longamente tristes, sequiosos,
Como flor aberta na sombra em busca do sol.
Vieram com o vento e com as ondas
Em música e cantos de sereia,
Através dos campos e bosques da beira-mar,
Vieram até mim estudante triste
Dum país do Sul.
Nuno Rocha Morais
Não há Deus no “no man's land,”
Religião alguma aí se vende.
Alcandorado em preces pelos séculos,
Deus morreu no terror de homens - tubérculos.
Onde homens não subsistem, morre Deus
Flutuando em vazios, vazios céus.
Nuno Rocha Morais
Neste momento exacto,
Se a exactidão é possível no tempo,
Sou um buraco de mim.
Deixa-me acontecer paradamente
Nos meus pequenos sonos de pó,
Nas pequenas redomas da minha solidão.
Não sei se o verão trará lugar para mim
Ou se esse lugar serão os teus braços.
Sou agora um tronco de árvore,
Um silêncio de pé.
Não me peças que disseque o meu olhar,
Se queres fazer algo por mim,
Diz ao dia que não insista mais comigo.
Fechei.
Nuno Rocha Morais
Primaveras anónimas, Apostando serenamente nas cores Moldáveis para que cada um Construa o seu próprio florescer. Nuno Rocha Morais