Não quero dizer nada.
Se eu quisesse não escrevia poemas.
Aliás o poema escreve-se dentro de mim,
Num fora de mim,
Noutra desenfreada de verde margem,
Alheia, distante, proibida.
O poema nasce do seu nada,
Do seu silêncio,
Respira numa raiz de nebulosa,
Torna-se arauto, nascido de um relâmpago
Ou ideia dolorosamente gotejante
Para as formas da escultura,
Ideia vinda do limbo
De um nome abandonado,
Ignorado,
Pois que os nomes não se criam,
Apenas se transformam.
O poema existe em mim,
Sem elos comigo:
Eu não o disponho.
O poema não é a sombra, o reflexo,
Do poeta.
Nuno Rocha Morais