Que estivesses aqui, ao meu lado,
Não antes de, desde um sonho,
Ter tocado o teu ombro na realidade.
Nuno Rocha Morais
Que se cansou de esperar
O amor que o poupasse ao sacrifício
E se prepara para sair da cruz,
Só o nosso amor nos defende ainda,
Perante este Cristo das trevas,
Luciferino e vingador,
Pressinto a tua morte, e a minha,
Que se reconhecem e enlaçam
E se aproximam de nós.
Nuno Rocha Morais
Cada vez mais alto,
Cada vez mais fundo,
Carregadas de choro escuro.
E penso: ” Seja o que for,
O fio do choro não o poderá reparar.
Nada devolverá à tua vida
Uma unidade que nunca teve.”
Mas nada te digo:
As palavras são apenas palavras
E sempre alheias
Não é com palavras que sentimos
Que aplacamos o sentir.
Deverás ser tu a dissipar
As tuas tempestades quando exaustas,
Tu a caminhar sobre as tuas águas,
Serenando o seu medo e a sua fúria,
Tu a encontrar o ritmo nítido da tua paz.
Nuno Rocha Morais
Nuno Rocha Morais
Procuras nas mesas
Uma enseada para a tristeza.
Essa distância teatral.
Deixa-te partir nos vapores,
Nos travos, nos rumores,
Nos rostos estranhos.
Aqui, o amor protege-se das noites,
Do desejo que não se cumpre,
E a solidão esconde-se da solidão.
Procuras nas mesas a redoma,
O ventre de uma pausa.
Aqui encontras na luz
As obscuridades possíveis.
Nuno Rocha Morais
Até te ter sonhado, não acreditei Que estivesses aqui, ao meu lado, Não antes de, desde um sonho, Ter tocado o teu ombro na realidade. Nuno ...