Poesia, respiração.
O sangue da terra
Entra nas palavras
E liberta-se.
Poesia, respiração.
Um bosque acorda
E abre-se à luz da música
Rasgando a nocturna cúpula do silêncio.
Nuno Rocha Morais
Que se cansou de esperar
O amor que o poupasse ao sacrifício
E se prepara para sair da cruz,
Só o nosso amor nos defende ainda,
Perante este Cristo das trevas,
Luciferino e vingador,
Pressinto a tua morte, e a minha,
Que se reconhecem e enlaçam
E se aproximam de nós.
Nuno Rocha Morais
Cada vez mais alto,
Cada vez mais fundo,
Carregadas de choro escuro.
E penso: ” Seja o que for,
O fio do choro não o poderá reparar.
Nada devolverá à tua vida
Uma unidade que nunca teve.”
Mas nada te digo:
As palavras são apenas palavras
E sempre alheias
Não é com palavras que sentimos
Que aplacamos o sentir.
Deverás ser tu a dissipar
As tuas tempestades quando exaustas,
Tu a caminhar sobre as tuas águas,
Serenando o seu medo e a sua fúria,
Tu a encontrar o ritmo nítido da tua paz.
Nuno Rocha Morais
Nuno Rocha Morais
Procuras nas mesas
Uma enseada para a tristeza.
Essa distância teatral.
Deixa-te partir nos vapores,
Nos travos, nos rumores,
Nos rostos estranhos.
Aqui, o amor protege-se das noites,
Do desejo que não se cumpre,
E a solidão esconde-se da solidão.
Procuras nas mesas a redoma,
O ventre de uma pausa.
Aqui encontras na luz
As obscuridades possíveis.
Nuno Rocha Morais
Poesia, respiração. O sangue da terra Entra nas palavras E liberta-se. Poesia, respiração. Um bosque aco...