Procuro ocultar
Todos quantos estiveram
No poema antes de mim,
Procuro resgatar o verso
De todo o contágio,
Diferenciar a minha palavra
Da herança comum.
Procuro que no verso
Tudo meça
A minha própria densidade.
Mas procuro também suspender-me,
Ser no verso um regresso invisível.
Vou deixando por rasto o silêncio.
Nuno Rocha Morais