Não há Deus no “no mans’land,”
Religião alguma aí se vende.
Alcandorado em preces pelos séculos,
Deus morreu no terror de homens -tubercúlos.
Onde homens não subsistem, morre Deus
Flutuando em vazios, vazios céus.
Nuno Rocha Morais
Não há Deus no “no mans’land,”
Religião alguma aí se vende.
Alcandorado em preces pelos séculos,
Deus morreu no terror de homens -tubercúlos.
Onde homens não subsistem, morre Deus
Flutuando em vazios, vazios céus.
Nuno Rocha Morais
Neste momento exacto,
Se a exactidão é possível no tempo,
Sou um buraco de mim.
Deixa-me acontecer paradamente
Nos meus pequenos sonos de pó,
Nas pequenas redomas da minha solidão.
Não sei se o verão trará lugar para mim
Ou se esse lugar serão os teus braços.
Sou agora um tronco de árvore,
Um silêncio de pé.
Não me peças que disseque o meu olhar,
Se queres fazer algo por mim,
Diz ao dia que não insista mais comigo.
Fechei.
Nuno Rocha Morais
Vem pôr cadências no teu cabelo,
O vento largo, o vento longo.
Entanto, o silêncio exíguo,
A luz sulfurosa num voo sucinto,
O céu incipiente, os rudimentos da manhã.
O que respiro não é livre.
O que chega já não é o mundo.
Aqui e agora imóveis – no preciso instante,
No ápice da agonia, que vem do fundo,
De um mar afogado num signo.
Nuno Rocha Morais
Livro,
Companheiro de chuva,De céu puro,
Quantas vezes segui o fio
Das horas nas tuas páginas.
Quantas vezes me li,
Te vi o meu reflexo;
O que eu abri do mundo.
Silente, vivo,
Lá está, tranquilo,
Aguardando-me,
Correr de regato ávido.
Nuno Rocha Morais
Morreram com a extinção do fogo.
Tudo é cinza, espaço em nunca convertido,
Tudo é um apenas olhar do corpo sobre o ido
Fulgor das fracas palavras que ficaram.
Hoje nada parece suster a respiração
Do teu folego rente à pele
Dos dias. Tudo é, no voo do sol da tarde,
Apenas um ardor desfalecido.
Nuno Rocha Morais
Velha proa harpa dos ventos
O mar antigo contido
numa estrofe de Camões?
O mar dos mercadores
mar negreiro
cavado nos porões?
O mar das searas concretas
mar das ceifeiras
mar dos poetas
o mais vasto mar da marinhagem
que nada teve nunca?
Velha proa harpa dos ventos
Nuno Rocha Morais
Não há Deus no “no mans’land,” Religião alguma aí se vende. Alcandorado em preces pelos séculos, Deus morreu no terror de homens -tubercúl...