Na sua negação prolongado.
Assim, também a voz
Tantas vezes, em si mesma
Prisioneira
Da morte de tantos poetas
E ninguém sabe.
Nuno Rocha Morais
Mergulho no rio do povo,
No seu rio de suor e loção da barba
E fritos e vozes roufenhas
E silêncios saturados.
O dia a prumo sobre o povo,
Sobre a torrente da sua pressa,
Da sua ânsia, da sua fome,
O dia que me atinge e me torna,
Como torna cada uma destas faces,
Uma gota do povo.
O povo sem deuses e sem sonhos
Que, no entanto, crê em sonhos e em deuses,
O povo que passa no olhar destes versos,
Versos que não são neo -reais
Ou realistas, mas apenas reais.
Nuno Rocha Morais
A maldição dos lugares é esta:
Prolongando-se em outro.
Porém, aqui, neste lugar,
Tantos ontens, ainda que residuais,
São audíveis e insistentes assaltam-nos,
Assustam-nos, dilaceram-nos
Com a sua presença de jamais regressarem.
O tempo passado vertebra os lugares,
Percorre-os como uma peste,
Recorda-nos que em nós
O tempo tem de ser extinto
Sempre duas vezes.
Nuno Rocha Morais
A tarde compõe-se no céu, Teatral, florida, clara: Espessura de aves do Verão. Mas em mim soam os tambores da chuva, Tantos tambores tentacu...