sábado, 21 de fevereiro de 2026

Confissão de abandono

Neste momento exacto,

Se a exactidão é possível no tempo,

Sou um buraco de mim.

Deixa-me acontecer paradamente

Nos meus pequenos sonos de pó,

Nas pequenas redomas da minha solidão.

Não sei se o verão trará lugar para mim

Ou se esse lugar serão os teus braços.

Sou agora um tronco de árvore,

Um silêncio de pé.

Não me peças que disseque o meu olhar,

Se queres fazer algo por mim,

Diz ao dia que não insista mais comigo.

Fechei.

 

Nuno Rocha Morais

 


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