sábado, 14 de fevereiro de 2026

Vem do largo, vem do mar, o vento longo,

Vem pôr cadências no teu cabelo,

O vento largo, o vento longo.

Entanto, o silêncio exíguo,

A luz sulfurosa num voo sucinto,

O céu incipiente, os rudimentos da manhã.

O que respiro não é livre.

O que chega já não é o mundo.

Aqui e agora imóveis – no preciso instante,

No ápice da agonia, que vem do fundo,

De um mar afogado num signo.


Nuno Rocha Morais
 

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