Tínhamos esquecido que poderia
Acontecer assim, a manhã,E num súbito calor
Haver uma energia súbita
Que a reconhece e lhe responde
Juntando-se ao poliedro em turbilhão
De faces incontáveis,
De pássaros lançados
Às mãos cheias pelo ar,
E a toda essa harmonia imperiosa,
Diversa unindo, o diverso enlaçando.
Contudo as suas horas tão leves,
Tempo sem esforço, cansaço,
Não são para o nosso tempo
De sobressalto e contratempo
De quem não pode esperar
Por manhãs e estações.
Enquanto a luz se apura e define
Nos seus dourados, estou certo
De que não pertence aqui
Tão gratuita pureza.
Saturamos inefáveis
Até os reduzirmos à escravidão
De forma, peso, medida
E literatura descritiva.
Com a luz à cintura
Dos primeiros blocos,
Esta manhã não sabe – ou esqueceu –
Que já não estamos no Paraíso.
Nuno Rocha Morais
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