sábado, 4 de julho de 2026

Não quero dizer nada.

Se eu quisesse não escrevia poemas.

Aliás o poema escreve-se dentro de mim,

Num fora de mim,

Noutra desenfreada de verde margem,

Alheia, distante, proibida.

O poema nasce do seu nada,

Do seu silêncio,

Respira numa raiz de nebulosa,

Torna-se arauto, nascido de um relâmpago

Ou ideia dolorosamente gotejante

Para as formas da escultura,

Ideia vinda do limbo

De um nome abandonado,

Ignorado,

Pois que os nomes não se criam,

Apenas se transformam.

O poema existe em mim,

Sem elos comigo:

Eu não o disponho.

O poema não é a sombra, o reflexo,

Do poeta.


Nuno Rocha Morais

Sem comentários:

Enviar um comentário

Não quero dizer nada. Se eu quisesse não escrevia poemas. Aliás o poema escreve-se dentro de mim, Num fora de mim, Noutra desenfreada de ver...