sábado, 31 de maio de 2025

(Lisboa)


A pressa desconstrói ritmos,

Cadências à sua imagem.

Deixo-me conduzir

Pelo rancor das ruas

E que a memória seja fera.

Passo pelas estátuas e a sua reticência,

Sei que não sou mais do que isto,

Como tantos outros – um par de olhos

Devolutos, pelo rancor das ruas.

Cada fissura é o meu destino,

Cada desabamento traça o meu curso,

Mas isto não significa que eu esteja escrito.

 

Nuno Rocha Morais


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