sábado, 3 de maio de 2025


Agora vais aprender a estar só.

A olhar para as tuas mãos

Depois de te terem partido

Minuciosamente, um a um,

Todos os dedos, inúteis como gravetos.

Vê como não se dissolveram os teus gritos,

Cravados no ar. Vê,

Vais aprender a desprender de ti

Todo o amor com ferocidade

E, porém, numa perplexidade geométrica

E só poderás entender a perplexidade.

Tudo isto, há muito o adivinhavas,

Há tanto tempo – porque esta

Foi a solidão que em outros deixaste.


Nuno Rocha Morais



 

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