sábado, 29 de março de 2025

Visão Heraclitiana


Corola profanando a noite,

A lua.

Se olhares para cima,

Ela pinga-te nos olhos

E, cada vez que olhares,

É outra a lua que pinga.


Nuno Rocha Morais


sexta-feira, 21 de março de 2025

Saga do poeta abandonado

 
Meus sete irmãos partiram,

Cada um por cada dia.

Cada um por cada sol,

À descoberta da terra.

 

Só eu fiquei abandonado,

A chorar de poesia, 

Poesia a cada dia,

Poesia a cada sol. 


Nuno Rocha Morais

domingo, 16 de março de 2025

Primavera


 Um frémito desperta

A paz de ossos acomodados –

A Primavera desponta

Como um problema exótico

Que todos os anos, 

Necessita de resolução.

 

Nasce com os sinos,

Explode, quando a placidez da invernia

Se inclina, desgastada,

Apodrecendo.

Tudo se prepara, ansiosamente,

Para receber novo rosto:

Acabou o tempo das ilhas. 


Nuno Rocha Morais

sábado, 8 de março de 2025

 O segredo é uma voz

Igual ao silêncio

 

Talvez na mulher, 

O segredo do mundo.


Nuno Henrique Rocha Morais

sábado, 1 de março de 2025

Aqui se coroa e cumpre

O desejo:

É terra.

Aqui cheguei,

Aqui não verei ninguém mais.

Não espero que alguma vida,

Metáfora de ar,

De novo me tome

E em mim enflore.

Aqui espero, sim,

Morrer para sempre.


                                                                    Nuno Rocha Morais 

sábado, 22 de fevereiro de 2025


Todo o sono ao fundo,

Resumido num ponto irrespirável

De longe, vem a noite

Sedimentar as suas vozes

E todo o pensamento se ateia,

Envenenado de imagens,

Deslumbrado de tristeza incógnita

Que alastra pelo meu nome

E se torna a minha idade,

A minha biografia.

Pela trama da tristeza é que eu penso,

Por aqui passam pesadas,

As pré-históricas horas,

Fossilizadas nesse passado

Em que me consumo.

Que importa o presente

De que, levemente, bebo a morte?

Ah!, e só ver os olhos dela

Seria apagar pegadas rumo ao meu fim.


Nuno Rocha Morais 

domingo, 16 de fevereiro de 2025


 No sangue a raiz comum com tudo,

Uma página em que todos os ritmos

Se escrevem com a verdura da mesma sintaxe.

Nenhum gesto é abreviado,

A cor das flores não precisa de tradução,

Cai uma sede ferruginosa sobre as espadas,

As espadas já sem chave,

Onde a morte já não pode ser colhida

E a luz dá à luz a sua própria transparência.



Nuno Rocha Morais

Visão Heraclitiana

Corola profanando a noite, A lua. Se olhares para cima, Ela pinga-te nos olhos E, cada vez que olhares, É outra a lua que pinga. Nuno Rocha ...